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2,6 milhões de goianos inadimplentes podem renegociar dívidas pelo Novo Desenrola

Mais de 2,6 milhões de goianos com contas em atraso terão a oportunidade de renegociar suas dívidas a partir desta semana com o lançamento do Novo Desenrola Brasil. A iniciativa, formalizada por medida provisória na segunda feira (4), oferece descontos de até 90%, juros limitados a 1,99% ao mês e permite o uso do FGTS para abater débitos. O programa terá vigência de 90 dias e abrange famílias, estudantes, micro e pequenas empresas e agricultores familiares, com o objetivo de limpar o nome dos cidadãos e restaurar o acesso ao crédito.

O volume de pendências em Goiás é expressivo. Segundo dados da Serasa, o estado registra mais de 10,2 milhões de dívidas ativas, totalizando aproximadamente R$ 18,5 bilhões. O cenário indica um endividamento concentrado, já que 49% dos devedores com instituições bancárias acumulam mais de uma cobrança no mesmo local. Em média, cada consumidor inadimplente no estado mantém três ou mais contratos em aberto.

A inadimplência goiana atinge levemente mais homens (51,4%) e concentra se nas faixas etárias de 26 a 40 anos (36,1%) e de 41 a 60 anos (34,4%). O cartão de crédito lidera as causas do calote, apontado por 73% dos entrevistados, seguido por empréstimos (56%) e cheque especial (33%). As estatísticas revelam que 37% dos endividados no cartão possuem débitos acima de R$ 10 mil e 36% carregam essas pendências por mais de dois anos.

O levantamento deixa claro que o endividamento não decorre de consumo impulsivo. Para 38% dos brasileiros, o desemprego ou a queda na renda foram os gatilhos principais. Gastos com itens essenciais, como alimentação, moradia e saúde, também figuram entre os principais motivos que levam ao uso do crédito. Em Goiás, 27,62% do total de dívidas está vinculados a bancos e cartões de crédito.

Para as famílias, o programa destina se a pessoas com renda mensal de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105). As dívidas elegíveis foram contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos, nas modalidades cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado. Os descontos variam entre 30 e 90%, com parcelas mínimas de R$ 50 e prazo de pagamento de até 48 meses. Após a renegociação, os participantes poderão usar 20% do saldo do FGTS ou mil reais, valendo o maior valor. O limite é de R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira.

A iniciativa também contempla outras frentes estratégicas. No Fies, estudantes com atraso de até um ano terão desconto de 100% sobre juros e multas, podendo parcelar em até 150 vezes. Micro e pequenas empresas ganharão carência ampliada para 24 meses e prazo total de até 96 meses, com crédito podendo chegar a 60% do faturamento para negócios liderados por mulheres. O crédito consignado passa por ajustes, com a margem total reduzida para 40% e limite de 5% para cartões consignados. Como contrapartida, os bancos deverão destinar 1% das garantias do programa à educação financeira, e o CPF dos beneficiários ficará bloqueado por 12 meses para apostas online.

Durante a cerimônia no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a medida busca aliviar o peso das dívidas e permitir que a população volte a respirar financeiramente. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, explicou que o governo pretende criar mecanismos estruturantes para melhorar a qualidade do crédito futuro, destacando a existência de um fundo garantidor do Poder Público para apoiar as famílias. Dívidas de até R$ 100 quitadas sob as novas regras terão o nome limpo de imediato. O programa reforça a estratégia nacional de reduzir a inadimplência e estimular o uso consciente do crédito nos próximos três meses.

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