Falar sobre doação de órgãos ainda em vida pode transformar um momento de despedida em uma oportunidade para outras pessoas continuarem suas histórias. É com esse propósito que o Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a importância da doação de órgãos e tecidos, reforça a necessidade de ampliar o diálogo sobre o tema, principalmente diante de dados como o da Central Estadual de Transplantes de Goiás, que apontam que 67,3% das famílias ainda não autorizam a doação de órgãos após a morte do parente.
No Hospital de Urgências de Goiás – Dr. Valdomiro Cruz (HUGO), essa conscientização se traduz também em uma atuação estruturada para acolher famílias e viabilizar a doação de órgãos com segurança, agilidade e sensibilidade.
Administrado pelo Einstein, o HUGO é o hospital estadual que mais captou órgãos para transplante em Goiás de janeiro a agosto de 2026. Nesse período, foram realizadas 25 captações de múltiplos órgãos, uma média de 3 captações por mês. As doações beneficiaram mais de 90 pessoas e, segundo dados do Registro Brasileiro de Transplantes de 2025, a recusa familiar na unidade foi de 55%, abaixo da média de Goiás, que é de 66,5%. No Brasil, esse percentual está em torno de 45%. Esse resultado demonstra a evolução de um trabalho estruturado a partir de 2024 e que segue evoluindo ao longo desse último ano.
A ampliação dos resultados está relacionada ao fortalecimento dos fluxos assistenciais e à atuação integrada da Equipe Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (E-Dot) com as demais áreas do hospital.
Mais do que números, cada doação envolve uma decisão tomada por famílias em um momento de profunda dor. Por isso, o processo exige preparo técnico, organização e, sobretudo, acolhimento. Médicos, enfermeiros, técnicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais do hospital foram preparados para atuar de forma integrada desde a identificação de um potencial doador até a investigação e confirmação da morte encefálica e a abordagem da família.
“A escuta ativa e o acolhimento são ainda mais essenciais nesse contexto. A abordagem é conduzida de forma individualizada, desde o momento da identificação do paciente como potencial doador. A equipe multiprofissional acolhe e acompanha a família, esclarece dúvidas e explica cada etapa do processo”, detalha a biomédica e coordenadora da E-Dot do HUGO, Keliene Oliveira. “Respeitamos o momento de cada família, oferecendo as informações necessárias para que se sinta segura ao tomar a decisão pela doação”, completa.
A experiência do Einstein na área de transplantes também contribui para a qualificação dos processos e das equipes do HUGO. A integração entre conhecimento técnico, protocolos assistenciais e cuidado humanizado fortalece a atuação da unidade em todas as etapas da captação. “A troca de conhecimentos contribui para aprimorar processos e equipes. Na captação de órgãos, técnica, agilidade e cuidado humanizado precisam caminhar juntos”, destaca a diretora médica do HUGO, Fabiana Rolla.
Para além da atuação das equipes dentro da unidade, durante o Setembro Verde, a experiência do HUGO reforça uma mensagem que pode começar dentro de casa: conversar sobre doação de órgãos e registrar essa vontade pode, no futuro, salvar vidas. Para as famílias, ter conhecimento da vontade de doação do parente pode fazer toda a diferença quando uma decisão precisa ser tomada, uma vez que, no Brasil, a doação de órgãos depende da autorização da família.
Reconhecimento
No HUGO, o cuidado com as famílias se estende também aos momentos que simbolizam a importância de cada doação. A saída de um doador da unidade é marcada pelo chamado corredor de aplausos, realizado pelos colaboradores do hospital como forma de homenagear a pessoa e reconhecer o gesto da família.
Outro símbolo é o Memorial Árvore da Vida, instalado na recepção social do hospital e doado à unidade pelo artista plástico goiano Siron Franco. Periodicamente, familiares participam de uma cerimônia em que colocam no monumento uma placa com as iniciais do doador. A iniciativa preserva a memória de quem partiu e simboliza a esperança proporcionada pela doação.
Sobre o HUGO
O Hospital de Urgências de Goiânia – Dr. Valdemiro Cruz (HUGO) foi inaugurado em 1991 e é o segundo maior hospital de urgência e emergência de Goiás. Além da assistência, também é um hospital de ensino, pesquisa e extensão universitária.
Em sua trajetória, se destaca por programas como o de microcirurgia, que realiza procedimentos como reconstituição de órgãos, reparação cirúrgica e reconstrução de membros inferiores, superiores da face e reimplantes. Foi considerado referência no atendimento de acidente vascular cerebral (AVC) com o projeto Angels, implantado em 2022, e reconhecido internacionalmente no socorro a vítimas de AVC isquêmico. O protocolo reduziu em mais de 86% as sequelas de pacientes e em quase 90% o índice de óbitos de vítimas de AVC.
O HUGO possui 387 leitos para internação e um centro cirúrgico com 10 salas. Sob a gestão do Einstein, o hospital continuará realizando atendimento de serviços ambulatoriais e hospitalares 100% regulados para pacientes do SUS.
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