Na edição goiana do ElectionWatch Brazil 2026, realizada nesta terça-feira (27), o UBS Global Wealth Management reuniu mais de 80 clientes e convidados para discutir os desafios da economia brasileira após o segundo turno das eleições e os possíveis desdobramentos para os mercados e os investimentos. Durante o encontro, Luciano Telo, CIO para o Brasil do UBS GWM, e Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS GWM, analisaram mais profundamente o cenário fiscal e econômico do país, além das perspectivas para a alocação de recursos.
Na avaliação da ‘casa’, o resultado eleitoral trouxe surpresas em relação aos sinais observados no primeiro turno, tanto na disputa presidencial quanto na composição do Congresso e nos governos estaduais. Nesse contexto, a condução da política fiscal e a capacidade do próximo governo de apresentar medidas concretas para conter o avanço das despesas públicas serão determinantes para a confiança dos mercados e as perspectivas de crescimento.
Para Srour, a ausência de uma trajetória fiscal crível pode ampliar os desequilíbrios econômicos, limitando o espaço para a redução dos juros e pressionando as expectativas de inflação. A combinação desses fatores tende a comprometer a atividade econômica, restringir a oferta de crédito e aumentar a vulnerabilidade do país a choques externos.
“Será fundamental que o presidente eleito dê sinais claros sobre como pretende conduzir a política econômica, especialmente em relação à trajetória dos gastos públicos. Não basta formar uma coalizão de governo: é necessário que ela tenha capacidade de implementar medidas efetivas para enfrentar o desafio fiscal. Sem um plano crível, o país corre o risco de conviver com juros elevados por mais tempo, expectativas de inflação pressionadas e uma desaceleração mais intensa da atividade econômica”, afirma Srour.
No campo dos investimentos, o cenário reforça a importância da diversificação entre classes de ativos e regiões geográficas. A instituição mantém uma visão favorável para ativos globais, com destaque para tecnologia, e adota uma postura mais neutra em relação a ativos brasileiros. A estratégia busca equilibrar o potencial de crescimento dos lucros no exterior com as oportunidades no mercado doméstico.
“Em um ambiente marcado por incertezas fiscais e perspectivas econômicas desafiadoras, a diversificação ganha ainda mais relevância na construção dos portfólios. A combinação de ações globais e renda fixa brasileira pode contribuir para conciliar a busca por crescimento no longo prazo com a remuneração oferecida pelos juros locais. A alocação deve considerar os diferentes cenários e evitar a concentração excessiva em uma única classe de ativos, setor ou região”, afirma Telo.
A passagem do ElectionWatch Brazil 2026 pela capital goiana também reforçou a importância de abrir o diálogo em diferentes regiões do país.
“Depois de uma eleição como esta, é natural que os clientes queiram entender as implicações do resultado para a economia e para as suas carteiras. Essa conversa, feita aqui e levando em conta as particularidades de cada investidor, é uma parte importante do nosso trabalho”, afirma Rafael Gross, responsável pelo mercado brasileiro no UBS GWM.
Realizado dois dias após o segundo turno, o encontro foi o primeiro evento econômico-político em Goiás após a definição do comando do Executivo para os próximos quatro anos.
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