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Imóveis a preço de custo em bairros nobres: cooperativas aproveitam aquecimento do mercado goiano

Com alta de 42% nas vendas no primeiro semestre de 2026, o mercado imobiliário de Goiás alavanca iniciativas das cooperativas habitacionais que aproveitam a onda de bons negócios

STG News Redação por STG News Redação
7 de novembro de 2026
em Negócios
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Imóveis a preço de custo em bairros nobres: cooperativas aproveitam aquecimento do mercado goiano

O prédio Vigore Marista é a mais recente obra entregue pela Cooperluxo (Crédito: Divulgação)

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Karine Rodrigues

O mercado imobiliário brasileiro segue quase imune às oscilações econômicas sofridas pelo Brasil e pelo mundo. A comprovação deste fato está no levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que apresenta um crescimento de 5,4% das vendas de imóveis residenciais no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Em nível regional, Goiás registrou uma alta de 42% no mesmo período, ou seja, no primeiro semestre de 2026. Percentual quase oito vezes superior à média nacional. Segundo a pesquisa de mercado realizada pela empresa especializada Brain Inteligência Estratégica e divulgada pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO), trata-se do maior volume de vendas desde o primeiro registro da série histórica, no total foram vendidas 7.219 unidades. Número que leva a Capital goiana como a quarta no País que mais comercializa imóveis, com um volume de R$4,1 bilhões negociados. 

Números e volumes que sustentam uma indústria bilionária e que movimenta uma cadeia de inúmeros profissionais, mas dentro deste rol está uma parcela que também segue em ascensão, o ramo habitacional do cooperativismo. Este talvez seja um dos ramos menos conhecidos, dentre o agro, o crédito, a saúde, que são os ramos mais presentes no dia a dia dos cidadãos. Porém, o cooperativismo habitacional tem crescido exponencialmente no Estado, com a construção e entrega de vários empreendimentos, em sua maioria de alto e altíssimo padrão, e de dimensões verticais e horizontais. 

Goiás conta hoje com quatro centrais cooperativas, isso porque cada empreendimento é considerado uma cooperativa que faz parte de uma central. As cooperativas centrais de habitação são: Central Cooperacinco de Cooperativas Habitacionais (Cooperacinco), Central Cooperluxo de Cooperativas Habitacionais (Cooperluxo), Cooperativa Habitacional Cooperhouse Marista (CHCM) e Cooperativa Habitacional de Construção Civil Solidária de Goiás. 

Com um modelo de negócios muito diferente das incorporadoras tradicionais, as cooperativas habitacionais constroem um imóvel juntos com os futuros donos e a preço de custo. Ainda assim, a estimativa de negócios por parte das cooperativas é que este ano a movimentação chegue ao volume dos R$3 bilhões, parece muito, mas na ponta do lápis é contabilizado desde o terreno aquirido até os acabamentos de cada apartamento. Com a maior parte dos empreendimentos localizados em áreas nobres de Goiânia e condomínios horizontais na região metropolitana, o preço do metro quadrado é alto.

Segundo a Ademi-GO, o preço do metro quadrado nos quatro bairros mais requisitados da cidade, Marista, Oeste, Jardim Goiás e Bueno, o preço médio registrado foi de R$13.147 mil. O destaque vai para o Marista, com a média próximo da marca dos R$14 mil. Justamente onde estão localizados os edifícios da Cooperluxo e Cooperhouse. 

O presidente da Cooperhouse ajudou a fundar a mais antiga cooperativa em atividade (Crédito: Acervo pessoal)

House goiana

Fundada em 2001, a Cooperahouse é a mais antiga cooperativa habitacional de Goiás. Com mais de 50 empreendimentos entregues e 25 anos de atividade, o atual presidente Leandro Borges Medeiros, diz que a cooperativa começou em Brasília, anos antes, passaram por São Paulo, Mato Grosso até se fixarem em Goiânia. Hoje as obras são apenas em Goiânia e na região metropolitana. 

No momento, a Cooperhouse está com três empreendimentos ativos, o Prime Bueno, que já foi entregue, como diz o nome, está situado no Setor Bueno. Acabaram de iniciar as obras do House Marista e o Art House Marista, cujo projeto está em fase de aprovação para iniciar a obra. Há dois condomínios horizontais em obras, em Senador Canedo, o Garden Flamboyant e o Reserva Flamboyant para serem entregues em 2027. Além do Village Flamboyant que está em fase de aprovação de projeto.  

Leandro Medeiros ressalta que o cooperativismo habitacional em Goiás, tem aproveitado o aquecimento do setor e apesar do modelo de negócio diferente, ele conta que cada vez mais é maior o interesse por empreendimentos cooperativos. “Nossa principal propaganda é o boca a boca, e muitos dos cooperados que adquirem um imóvel, compram outro e indicam para novos compradores”, diz. Ele argumenta que a preferência por imóveis construídos por cooperativas entre os goianos, se justifica por serem empreendimentos com preço mais em conta, se comparado aos das incorporadoras tradicionais e no mesmo padrão.  “No nosso formato o apartamento sai a preço de custo, a gente não tem intermediação de imobiliárias, corretagem, não tem apartamento decorado. Não tem gasto com mídia, então são alguns pontos que fazem com que o nosso preço seja mais baixo”, reforça o presidente da Cooperhouse. 

Medeiros relata que a Cooperhouse iniciou os trabalhos em Goiânia, com as obras inacabadas da Encol. “A cooperativa começou com os proprietários que estavam com as obras sem finalizar e formamos a cooperativa com eles. Concluímos todas as que pegamos. Deu tão certo, que a partir daí reunimos médicos, que indicaram parentes que eram advogados, juízes, promotores, empresários e o grupo foi crescendo e de lá para cá a gente hoje tem aí mais de dois mil cooperados”, explica ele. A demanda aumentou tanto que no início entregavam um prédio para iniciar outro. Agora o momento é outro, tanto que há cinco empreendimentos em execução e um entregue recentemente. 

Outro ponto de destaque é que, embora haja intercooperação entre as cooperativas de habitação e crédito, os imóveis construídos por cooperativas não são financiados, todas trabalham com recursos dos próprios cooperados. Segundo Leandro Medeiros, com o aporte mensal de cada cooperado o terreno é adquirido, passa para a parte de projetos e execução da obra. “Na Cooperhaouse nunca pegamos dinheiro de banco e nem de cooperativas de crédito. Porém, todas as nossas contas correntes, as aplicações financeiras dos recursos das obras e também as contas a receber, que é emissão de boletos para recebimento das unidades, fazemos no Sicoob”, relata ele.

Bruno Rezende é um entusiasta e investidor do cooperativismo  habitacional (Crédito: Acervo Pessoal)

Alto padrão a preço de custo

O engenheiro civil, Bruno Rezende já conhecia o modelo cooperativista habitacional, desde 2015, e este foi um dos motivos que o levaram a adquirir um apartamento no Edifício Vigore Marista, da Cooperluxo. Mas foi em 2020 que ele assinou o contrato com a cooperativa para adquirir o imóvel, cujas obras iniciaram em 2022 e a quitação do apartamento em fevereiro de 2024. O imóvel foi entregue no final de outubro. Bruno conta que pagou a metade do custo de mercado no metro quadrado, pelo apartamento e viu o valor do imóvel se valorizar quase 50%, em menos de 3 anos. E não é qualquer prédio, trata-se de um edifício de altíssimo padrão, com 190 m², muito bem localizado no Setor Marista. 

O engenheiro detalha que adquiriu o apartamento por R$1,28 milhão, o que dava pouco mais de R$6.700 o valor do metro quadrado. Foi um valor bem abaixo do mercado no momento da aquisição. “Na época, outras incorporadoras estavam vendendo imóveis do mesmo padrão na região por R$12 mil o metro quadrado, quase o dobro do que paguei”, contabiliza. Porém, ele não ficou com o imóvel e já o vendeu. Ele conta que era interessante morar pela localização e a qualidade do imóvel. Também seria bom para locação. Mas quando surgiu a oportunidade de vender por esse valor, não pensou duas vezes. Bruno vendeu o apartamento por R$ 1,9 milhão, o qual teve uma valorização de 48%, em menos de 3 anos. Diante do bom negócio, ele diz que não vai parar neste investimento. “Sou construtor de casas de alto padrão, estou com uma à venda e outra em construção, para ficar pronta em março. Assim que eu me capitalizar com a venda das casas, penso em adquirir outro imóvel de cooperativa”, afirma.

O gestor executivo da Cooperluxo, Thiago Libório se prepara para construir nos EUA (Crédito: Acervo Pessoal)

Jovem luxuosa

A mais jovem das cooperativas de habitação em Goiás é a Cooperluxo, fundada em 2018 pelo engenheiro civil Thiago Libório de Paula, hoje gestor executivo da entidade, depois de visitar uma obra em que o primo tinha adquirido um apartamento em uma cooperativa habitacional. Ele ficou impressionado com o valor do imóvel e o modelo de negócio e decidiu buscar mais conhecimento sobre o assunto. Se juntou aos diretores Rodrigo, Glaucio e Eduardo e fundaram a Central Cooperluxo de Cooperativas Habitacionais (Cooperluxo). 

Thiago Libório conta que o imóvel cooperativo, devido ao modelo de negócio, é mais em conta que um imóvel de uma incorporadora tradicional de mercado. Porém, isso não impede que essas mesmas cooperativas construam edifícios e condomínios horizontais de alto e altíssimo padrão. “O custo de uma obra de alto padrão é grande, independente de quem o constrói, mas nós conseguimos quebrar o preconceito de que a cooperativa só constrói imóvel mais acessível e de periferia, nós temos feito grandes obras e já somos referência em empreendimentos de alto padrão”, diz ele. A Cooperluxo acabou de entregar o Vigore Marista, já entregou o Maison Verte, também no Marista. Estão em construção o Por do Sol Vaca Brava, no setor Bueno e Haus Mitre no setor Marista. 

Ainda que tenha um arcabouço dos cooperados, as construções das cooperativas de habitação estão sujeitas às mesmas oscilações da economia que as incorporadas do mercado tradicional. Sendo assim, é feito um planejamento minucioso de modo que comporte alguns imprevistos. Porém, se houver algum ponto imprevisto, os orçamentos são corrigidos conforme o Indice Nacional da Construção Civil (INCC), e são feitas chamadas para os cooperados de forma a adequar os valores. Como são empreendimentos de alto padrão, Leandro Libório explica que os cooperados também precisam possuir uma condição financeira em que consiga arcar com despesas mais altas. 

Assim como a Cooperhouse, a Cooperluxo também é entusiasta da intercooperação. Ambas contam com cooperativas de crédito para administrarem os recursos das obras, no caso da Cooperluxo, o parceiro é o Sicoob UniCentro Br, além de ter cooperados de outras parceiras como Unimed, Uniodonto que adquirem os imóveis das cooperativas citadas neste texto. 

A Cooperhouse e a Cooperluxo, citaram durante a entrevista, o apoio da OCB Goiás, na divulgação do trabalho das cooperativas de habitação do Estado, promovendo negócios e contribuindo com a divulgação do trabalho executado neste ramo. Um desses estímulos foi a criação do Selo de Conformidade do Sistema OCB Goiás para reconhecer cooperativas habitacionais que atendem critérios estabelecidos de regularidade, governança e boas práticas de gestão. 

Cooperativismo habitacional

Boas práticas e transparência

De acordo com o presidente do Sistema OCB Goiás, Luís Alberto Pereira, o objetivo do Selo de Conformidade é oferecer mais segurança aos cooperados, fortalecer a transparência das operações e valorizar as organizações que atuam de acordo com os princípios cooperativistas e a legislação vigente. Além de servir como referência, para quem busca ingressar em uma cooperativa habitacional, o selo contribui para diferenciar cooperativas legítimas de iniciativas que utilizam indevidamente o modelo cooperativista, fortalecendo a credibilidade do segmento perante a sociedade.

O presidente do Sistema OCB Goiás relata que as cooperativas habitacionais geram impactos que vão muito além da entrega de moradias. Elas movimentam a cadeia da construção civil, estimulam o comércio, contratam serviços especializados e geram empregos diretos e indiretos. Também promove o desenvolvimento local e amplia a retenção de riqueza nas regiões onde os empreendimentos são realizados. Luís Alberto argumenta que o cooperativismo habitacional deve atuar de forma integrada ao planejamento urbano dos municípios, respeitando a legislação e dialogando com os órgãos públicos responsáveis pela infraestrutura e pelos serviços urbanos. “A essência do cooperativismo é construir soluções coletivas e sustentáveis. Por isso, é importante que os empreendimentos estejam alinhados aos planos diretores, aos estudos de impacto urbano e às necessidades das regiões onde serão implantados”, afirma ele. 

Futuro

Novos negócios e empreendimentos. Segundo o presidente da Cooperhouse, Leandro Medeiros, a meta é finalizar os empreendimentos e se adaptar às condições de mercado da melhor forma para que a relação custo x benefícios seja a melhor possível para cooperativa e cooperados. “A cooperativa é um empreendimento social e nós temos que entender isso e colocar em prática para que o modelo de negócio seja sustentável”, argumenta. 

O gestor Executivo da Cooperluxo, Thiago Libório diz que a cooperativa vai expandir as construções e em breve vai anunciar um projeto na cidade de São Paulo. Em 2028, eles vão executar um projeto em Miami, no Estado da Flórida, Estados Unidos. De Goiás para o mundo, as cooperativas de habitação goianas estão rompendo fronteiras e levando o DNA local para outras regiões. 

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Tags: CooperativasGoiásmercado imobiliárioOCB Goiás
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