A falta de público e a baixa frequência de espetáculos em cartaz nos teatros de Goiânia, mesmo com uma classe artística ativa em Goiás, estão entre as principais motivações da campanha #VáAoTeatro, lançada recentemente pela Cia de Teatro Carlos Moreira nas redes sociais. A iniciativa busca conscientizar e mobilizar artistas, espectadores e o poder público sobre a urgência de ocupar esses espaços, bem como valorizar e fortalecer a cultura local.
A campanha convida artistas, empresários, educadores, estudantes, famílias, autoridades e toda a sociedade a gravarem um vídeo curto respondendo à pergunta: “Por que as pessoas devem ir ao teatro?”. A ideia é que o conteúdo seja publicado nas redes sociais com a hashtag #VáAoTeatro e com a marcação do perfil @ciadeteatrocarlosmoreira.go, estimulando uma rede de apoio e participação.
No vídeo de divulgação da campanha, que já ultrapassa três mil visualizações, o ator e diretor de teatro Carlos Moreira faz um desabafo. Ele conta que, há 45 anos, tomou a decisão mais importante da sua vida ao escolher o teatro, mas relata que, na última apresentação do projeto semanal Terça Popular, havia apenas quatro espectadores na plateia. “Todo mundo sabe que o teatro só existe pela relação entre o ator e o espectador. Eu saí de lá muito triste e por isso estou buscando vocês. Não vou desistir. Foi uma decisão tomada de forma muito consciente e que me faz muito feliz até hoje”, declara.
Para ele, a escassez de público reflete uma questão cultural. “Muitos pais não foram ao teatro e, certamente, os filhos também não irão. Precisamos conscientizá-los de que a cultura é fundamental para a formação de cidadãos mais críticos e que cabe a eles, na educação informal, levar os filhos a manifestações artísticas. Além disso, é preciso remodelar a educação para que o ensino da arte seja mais presente e promissor. Então, os educadores também têm muito a contribuir com essa transformação social”, defende.
Carlos Moreira também chama a atenção para os altos custos de manutenção de peças em cartaz na capital. “Hoje, nós temos muita dificuldade para manter espetáculos em cartaz porque não temos casas cujos custos consigamos pagar. O espaço mais barato da cidade custa R$ 5 mil. Então, fazer um espetáculo lá já gera essa dívida só com o aluguel do espaço. Abater esse valor na bilheteria não é fácil. É fundamental haver parceria com o poder público, seja por meio de convênios com espaços menores e teatros de bolso, seja pelo incentivo às produções locais em modelo de porcentagem. Para nós, que não somos CLTs e fazemos o nosso próprio salário, trabalhar todos os dias é uma necessidade”, reforça.
Considerada uma das mais tradicionais do Estado, a Cia de Teatro Carlos Moreira já soma mais de 30 anos de estrada e centenas de espetáculos no currículo, entre comédias, peças infantis e montagens para empresas. Atualmente, a companhia promove espetáculos semanais no teatro instalado na Rua do Lazer, no Centro de Goiânia, por meio do projeto Terça Popular. A programação começa às 18h com show ao vivo do cantor Jorge Cosmo e venda de comidas e bebidas no Beco da Cultura, espaço externo do teatro. Já às 20h, acontece o espetáculo “Armazém do Humor”, uma comédia inteligente, provocadora e envolvente que propõe uma experiência teatral popular e, ao mesmo tempo, refinada. Além de entrada popular no valor de R$ 20, a apresentação reserva, ainda, espaço para que pessoas do público, mesmo sem vivência artística, subam ao palco e encenem uma cena de humor diante da plateia.
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