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Com ônibus elétricos e a biometano, Goiás evitou mais de 8 mil toneladas de CO2, mostra estudo

Divulgação

A região metropolitana de Goiânia vive uma virada de chave histórica em sua infraestrutura de mobilidade urbana e sustentabilidade ambiental. É o que revela uma auditoria técnica inédita divulgada pelo Mova-se Fórum Nacional de Mobilidade.  O relatório avaliao impacto multidimensional da primeira fase do “Projeto Nova RMTC”, mostrando como a modernização do transporte coletivo está transformando a realidade dos mais de 2,5 milhões de habitantes da região.
A iniciativa ataca diretamente um dos maiores problemas históricos dos grandes centros urbanos brasileiros: a dependência de matrizes fósseis altamente poluentes. O plano inicial auditado pelo Mova-se substituiu 539 ônibus antigos com padrão de emissões EuroIII – tecnologia defasada e desprovida de sistemas modernos de pós-tratamento de gases – por uma frota diversificada de ultra-baixa emissão.
A Fase I da modernização implementou 54 ônibus elétricos articulados (BEV), 3 veículos movidos a biometano e 477 unidades convencionais de última geração com tecnologia Euro VI (Proconve P-8).
O fôlego que o Cerrado pedia
O impacto ambiental ganha contornos ainda mais vitais quando cruzado com as características geográficas e climáticas de Goiás. Conforme ressalta o estudo do fórum de mobilidade, entre maio e setembro o Bioma Cerrado impõe um longo período de estiagem, marcadopor umidade do ar abaixo de 15% e episódios de inversão térmica que retêm poluentes na camada limite urbana.
Nesse cenário crítico, a queima de diesel antigo funcionava como um acelerador de crises respiratórias. Com a transição tecnológica mapeada pelo Mova-se, os números da mitigação impressionam:
Além da qualidade do ar, o levantamento destaca o ganho em conforto acústico. Nos corredores e eixos de BRT, os ônibus elétricos operam com uma redução de ruído superior a 75% na pressão sonora percebida por passageiros e moradores locais.
Economia real na saúde pública
O que é ecologicamente sustentável traduz-se diretamente em economia para os cofres públicos e ganho de qualidade de vida para o cidadão goiano. Utilizando a metodologia internacional “Impact Pathway Approach (IPA)” da Organização Mundial da Saúde (OMS), apesquisa quantificou os reflexos da melhora do ar no sistema de saúde.
A redução de internações hospitalares, atendimentos ambulatoriais e o combate a enfermidades cardiorrespiratórias geraram uma economia anual de R$ 3,75 milhões na região metropolitana de Goiânia. Desse total, cerca de R$ 1,05 milhão representam alívio diretonos custos do Sistema Único de Saúde (SUS), enquanto R$ 2,70 milhões retornam à sociedade sob a forma de ganho de produtividade, redução de faltas no trabalho e mitigação de mortalidade prematura.
Para Miguel Angelo Pricinote, Mestre em Transporte e Fundador do Mova-se Fórum de Mobilidade, os dados comprovam que a modernização do transporte coletivo vai muito além da simples troca de veículos. “A substituição tecnológica da frota da RMTC não é apenasuma atualização de ativos operacionais. Trata-se de uma política pública integrada de saúde ambiental, transição energética justa e melhoria direta na eficiência tarifária do sistema metropolitano, mostrando que investir em mobilidade limpa é investir na vidae no bolso do cidadão”, destaca Pricinote.
Economia circular e o horizonte de 2027
Um dos diferenciais tecnológicos apontados pelo relatório é a aposta na economia circular por meio do biometano. O insumo aproveita resíduos orgânicos urbanos e o tratamento de efluentes locais, como o lodo do Aterro Sanitário Metropolitano, transformando umpassivo ambiental poluidor em combustível limpo para os ônibus.
As projeções do Mova-se também indicam que, rumo à meta consolidada de 2027, a frota coberta salta para 1.200 veículos (incluindo 65 elétricos articulados, 500 a biometano e 635 Euro VI).
Se na Fase I a economia na saúde pública auditada é de R$ 3,75 milhões, a projeção do fórum para 2027 aponta um impacto positivo acumulado de R$ 21,94 milhões por ano. “Esses números irão consolidar a Grande Goiânia como um verdadeiro laboratório de referêncianacional em transição energética e sustentabilidade urbana”, finaliza Miguel Angelo Pricinote.

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