A redução da taxa Selic para 14% ao ano começa a mudar, ainda que de forma gradual, o comportamento de consumidores interessados na compra de veículos. No Grupo Saga, uma das maiores redes de concessionárias do país, o movimento já aparece no aumento das consultas e das simulações de financiamento, especialmente entre clientes que buscam operações com entradas menores.
O cenário, porém, ainda é marcado pela cautela, já que a queda da taxa básica não é repassada de forma imediata ou uniforme para as taxas cobradas nos financiamentos. As taxas oferecidas ao consumidor dependem de outros fatores, como o custo de captação das instituições financeiras, o perfil de crédito, o valor da entrada, o prazo e o risco de cada operação.
“A queda da Selic gera uma expectativa positiva para o consumidor, mas não significa uma redução automática e imediata nas taxas de financiamento. O cliente continua analisando muito o valor da parcela, comparando instituições e buscando condições que estejam de acordo com o seu orçamento. Nesse cenário, as campanhas com taxas subsidiadas têm papel importante porque conseguem tornar determinadas operações mais atrativas mesmo em um ambiente de juros ainda elevados”, explica Larissa Buono, gerente de F&I (Finance and Insurance, ou Financiamentos e Seguros) do Grupo Saga.
O comportamento observado nas concessionárias reflete um consumidor mais criterioso na hora de assumir uma dívida de longo prazo. Segundo o executivo, além de comparar taxas entre instituições, os clientes têm buscado ajustar o valor da entrada e do financiamento à capacidade de pagamento.
“Hoje, a decisão de compra passa muito pela parcela. O consumidor quer entender quanto vai pagar por mês, qual será o valor total da operação e quais condições consegue obter. Por isso, percebemos um aumento nas simulações, mas a conversão acontece de maneira mais gradual. O cliente pesquisa mais antes de tomar a decisão”, afirma.
Na avaliação de Larissa, por isso, uma eventual continuidade do ciclo de redução da Selic tende a produzir efeitos progressivos no mercado. Antes de uma expansão mais significativa das vendas, a expectativa é de aumento das consultas e simulações, seguido por uma melhora nas aprovações e na conversão das negociações, caso as condições de crédito também avancem.
Financiamento lidera, mas consórcio ganha espaço
Apesar do cenário de juros elevados, o financiamento continua sendo a principal modalidade utilizada pelos clientes do Grupo Saga para a aquisição de veículos. As campanhas promovidas pelos bancos de montadora, com taxas subsidiadas, prazos mais flexíveis e condições específicas para determinados modelos, ajudam a preservar a atratividade da modalidade.
Ao mesmo tempo, o grupo observa maior interesse pelo consórcio, especialmente entre consumidores que não têm urgência para retirar o veículo e preferem uma estratégia de aquisição mais planejada.
“O financiamento continua sendo o principal caminho para quem quer comprar o veículo e sair da concessionária com ele de forma imediata. Mas o consórcio ganhou espaço porque permite ao consumidor pensara aquisição de outra maneira. Com os juros ainda altos, ele passa a comparar não apenas diferentes financiamentos, mas também modalidades de compra”, explica a gerente de F&I.
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