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Especialista alerta sobre erros comuns ao tomar decisões empresariais

Organizações com dados, planejamento e equipes experientes frequentemente tomam decisões que precisam ser revistas pouco tempo depois, um padrão que se agrava sob pressão e quando os impactos sociais são negligenciados. A análise é da estrategista Taiana Jung, fundadora da Logos Consultoria, que identificou cinco armadilhas comuns em processos decisórios de empresas de diversos setores: simplificar demais, olhar apenas para os números, não se adaptar, ouvir menos do que o necessário e adiar o risco.

O problema central, segundo ela, não é a falta de informação, mas a forma como se decide quando o contexto aperta. “Quando o contexto aperta, a decisão vem mais rápido. A reunião termina, o plano é aprovado, o cronograma avança. Pouco tempo depois, começam a aparecer sinais de que algo não fechou”, afirma Taiana Jung. Ela observa que essas armadilhas são respostas previsíveis à urgência por avançar e não falhas técnicas individuais.

Ao acompanhar casos reais, a consultora aponta que a pressão leva a simplificar excessivamente o problema, muitas vezes excluindo da discussão os trabalhadores, comunidades ou grupos diretamente afetados. O território vira um conceito genérico, desconsiderando dinâmicas locais, e os excluídos reaparecem depois como conflito ou retrabalho.

Outro erro recorrente é decidir olhando apenas para números e indicadores, que podem estar desatualizados ou capturar pouco da realidade, invisibilizando desigualdades. A decisão fecha no papel, mas perde sustentação na prática.

Taiana também destaca a confusão entre alinhamento formal e real. Nos documentos e apresentações, a estratégia parece clara, mas as condições de execução no território são dinâmicas e instáveis. Ignorar essa complexidade gera improvisos, baixa adesão e desgaste.

Em momentos críticos, escutar passa a ser visto como atraso. A especialista aponta a redução do território a um único interlocutor ou a realização de consultas pontuais e meramente formais como práticas problemáticas. “Ouvir o necessário não é ouvir todo mundo, mas identificar quem realmente importa para aquele risco específico”, explica.

Por fim, a armadilha de adiar o risco para seguir adiante é comum. Riscos sociais são empurrados para o futuro ou para áreas menos visíveis, o que pode significar ignorar sinais de violação de direitos. As consequências acumulam-se e emergem como tensões, paralisações ou danos à reputação.

“Essas armadilhas não são falhas individuais. São respostas humanas à pressão. Criam uma sensão de controle no curto prazo, mas cobram um preço alto depois”, diz a fundadora da Logos Consultoria. Para ela, decidir em ambientes complexos exige reconhecer limites e assumir consequências de forma consciente.

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