A realização do MotoGP em Goiânia, com expectativa de movimentar até R$ 1 bilhão na economia local e atrair mais de 150 mil pessoas, evidencia um movimento que vai além do impacto direto em setores como hotelaria e serviços. Para especialistas, eventos desse porte também vêm alterando a forma como investidores enxergam oportunidades, especialmente fora do eixo tradicional do mercado financeiro.
Para Gabriel Magalhães, sócio-fundador e estrategista-chefe da Aliá Partners, o efeito mais relevante não está apenas nos dias de competição, mas na mudança de percepção sobre a própria cidade.
“Eventos assim tornam mais visível a capacidade da cidade de gerar fluxo, consumo e atenção. Isso desloca parte do olhar do investidor para oportunidades ligadas à economia local, especialmente em setores que passam a ganhar escala com o aumento da circulação de pessoas”, afirma.
Na prática, o movimento se traduz em maior interesse por ativos ligados à chamada “economia real”, como imóveis, hospitalidade, serviços urbanos e negócios voltados à experiência do consumidor. O impacto imediato tende a se concentrar em áreas como gastronomia, transporte e comércio, mas os efeitos mais consistentes aparecem no médio prazo, quando há continuidade na agenda de eventos e crescimento da atividade urbana.
O cenário reflete ainda uma transformação mais ampla no comportamento do investidor brasileiro. Nos últimos anos, regiões como o Centro-Oeste passaram a ganhar protagonismo não apenas na geração de riqueza, mas também na decisão sobre onde investir.
“Por muito tempo, boa parte da riqueza gerada em estados como Goiás era administrada fora. Hoje começa a ganhar força uma visão mais equilibrada: a de que esse capital também pode encontrar destino na própria região, desde que haja critério e boa estrutura”, explica Magalhães.
O amadurecimento acompanha um movimento nacional de descentralização do mercado financeiro, historicamente concentrado em polos como a Avenida Faria Lima, em São Paulo. Com o avanço da tecnologia e o acesso à informação, a localização deixou de ser fator determinante na escolha de assessoria e estratégia.
Na empresa administrada por Gabriel e de investimentos em Goiânia, por exemplo, cerca de 20% dos clientes são da capital paulista, um fluxo que, segundo o estrategista, surgiu de forma orgânica, impulsionado por indicações.
“O investidor ficou mais exigente. Hoje pesa mais a qualidade da leitura, a estratégia e a capacidade de entender o contexto de cada cliente do que a geografia”, diz.
Apesar do cenário positivo, especialistas alertam para o risco de decisões impulsivas em momentos de maior euforia econômica. A movimentação gerada por grandes eventos pode ampliar o interesse por investimentos, mas não altera os fundamentos.
“O principal é distinguir a visibilidade de consistência. Evento grande abre portas, mas não corrige ativo ruim ou projeto sem geração de caixa. O investidor precisa olhar menos para o barulho e mais para a capacidade de permanência”, afirma Magalhães.
Para o mercado financeiro, grandes eventos em Goiânia representam uma mudança simbólica: cidades que antes eram vistas apenas como origem de capital passam a ser consideradas também como destino estratégico de investimentos.
“Quando a cidade ganha visibilidade, atividade e novos vetores de crescimento, a pergunta deixa de ser apenas como preservar patrimônio e passa a incluir como posicionar parte dele nesse novo contexto”, conclui.
@aliapartners
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