Cerca de 20 toneladas de resíduos recicláveis deixaram de ser destinado ao aterro sanitário durante o Grande Prêmio de Goiás 2026, em Goiânia, graças à ação do Movimento Reciclar. A iniciativa, realizada entre os dias 20 e 22 de março no circuito do MotoGP, consolidou o evento como um dos maiores exemplos de sustentabilidade em grandes eventos no Brasil e evitou o desperdício de aproximadamente R$ 29 mil em recursos públicos e privados.
Segundo estudos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), cada tonelada de lixo reciclável enterrada custa aos cofres públicos R$ 600, considerando transporte, coleta e gestão do aterro. Com isso, o município deixaria de gastar cerca de R$ 12 mil para enterrar as 20 toneladas de materiais recuperados. Além disso, com a destinação correta para triagem e reaproveitamento, as cooperativas podem obter receita média de aproximadamente R$ 17 mil líquidos com o material.
A ação foi liderada pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Sustentável Estratégico de Goiânia (Codese), com apoio do Sistema OCB/GO e parceiros, e mobilizou 80 voluntários selecionados entre 536 inscritos. Os estudantes universitários atuaram como agentes ambientais na orientação do público, fornecedores e equipes do evento, promovendo educação ambiental e incentivando a separação correta dos resíduos.
Cerca de 70 pontos de coleta seletiva foram distribuídos estrategicamente pelo circuito, com sinalização reforçada por banners e estruturas visuais. A iniciativa também envolveu aproximadamente 400 fornecedores, estimulados a adotar práticas de redução de embalagens e destinação correta de materiais, como o uso de copos reutilizáveis.
“Em uma cidade que ainda recicla menos de 5% dos resíduos coletados, a iniciativa reforça a meta de alcançar 10% ainda neste ano e 50% até 2033, alinhada ao Pacto Goiano pela Economia Circular”, afirma Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB/GO. Ele destaca que o projeto vai além do serviço ambiental: “É também uma política de fortalecimento da economia solidária e de geração de renda digna para catadores e cooperados”.
Marcos Villas-Boas, diretor-executivo do Codese, explica que o Conselho atua como âncora estratégica do Movimento Reciclar ao articular governos, empresas, cooperativas de catadores e instituições. “Desse modo, assumimos a responsabilidade de transformar o discurso da sustentabilidade em projetos, termos de fomento e legados permanentes para a cidade”, diz.
As cooperativas Cooprec e Cooperama tiveram papel central na triagem e destinação dos materiais, garantindo que os resíduos retornem à cadeia produtiva por meio da logística reversa. A rede de parceiros contou com entidades como Fecomércio Goiás, Faeg, Sicoob Uni, Simplago, Bom Lixo e Secovi-GO, que contribuíram com estrutura, financiamento, equipamentos e apoio operacional.
Também foram fundamentais os apoios institucionais do Ministério Público de Goiás, da Comurg, da Agência Municipal de Meio Ambiente (Amma) e da Secretaria-Geral de Governo do Estado de Goiás, garantindo respaldo técnico, jurídico e integração com políticas públicas.
Além do impacto econômico, a ação trouxe benefícios ambientais: o resíduo reciclável, quando descartado de forma inadequada, contamina o material orgânico dos aterros sanitários, que pode ser utilizado na produção de bioenergia. Com a separação correta, esse potencial de geração de energia renovável é preservado.
O Movimento Reciclar é um pacto socioambiental que reúne poder público, setor cooperativista, empresas, universidades e sociedade civil organizada. A forte presença de marcas patrocinadoras em lixeiras, uniformes, pontos de coleta e materiais de comunicação demonstrou que a sustentabilidade é uma construção coletiva, com empresas, cooperativas e instituições assumindo protagonismo na transformação de Goiás em referência nacional em grandes eventos sustentáveis.
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