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Os Livrinhos Azuis se foram (sem deixar saudades)

Será que a “morte” do papel facilitou a vida do Departamento Pessoal (DP) ou apenas trocou o esforço físico da datilografia por fios de cabelos brancos na frente do computador?
 
Houve um tempo em que o kit de sobrevivência de um profissional de DP consistia em três itens fundamentais: uma caneta que não borrasse, um carimbo bem entintado e uma resiliência quase ilimitada.
 
Rotina Burocrática
 
A rotina do DP, embora funcional, era uma espécie de complexidade estruturada. Extremamente manual, burocrática, lentae obsoleta.
 
Os profissionais funcionavam como um intermediário de informações, que precisava atender demandas para diversos órgãoscomo Caixa, INSS, Ministério do Trabalho e outros; entregar algumas obrigações acessórias (GFIP, RAIS, CAGED etc.) e preencher guias e formulários para cada órgão, ou seja, era redundante e burocrático.
 
As anotações dos registros trabalhistas eram feitas em livros de registros e na Carteira de Trabalho (CTPS), algumas impossíveis de manusear, deterioradas pelo tempo de uso.
 
Lembro-me bem do meu primeiro dia como estagiário de DP, ao sentar-me na minha mesa, olho para os lados e me deparo com uns duzentos “livrinhos azuis”. Eram as CTPS, para fazer atualizações manuais. Nem sabia por onde começar. Mas, por mais que fosse um trabalho chato e demorado, havia uma luz no fim do túnel:digitalizar todos os dados trabalhistas.
 
O manuseio destes livrinhos não durou muito tempo. Em poucos anos passou a ser digital e, o lado bom é que aquele processo manual e a pilha de CTPS na minha se extinguiu e não deixou saudades.
 
Plataforma Digital E Modernização
 
E como tudo isso se tornou digital?
 
Diante do cenário obsoleto, o Governo Federal criou o Decreto nº 8373/2014, que instituiu o Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas (eSocial),com o objetivo de unificar e digitalizar registros trabalhistas.
 
Decreto criado, novo Sistema Digital criado, agora está tudo simplificado e no modo digital, certo?! Errado!
 
A ideia era linda no papel, ou melhor, na falta dele. Mas, entre a lei e a prática, houve um abismo de quatro anos de prorrogações até que o sistema finalmente funcionou em2018.
 
Quando o “start” veio, esbarrou em entraves, comodesconhecimento entres os profissionais, softwares desatualizados,instabilidade do sistema e multas. Nem mesmo quem criou o sistema sabia explicar como deveria funcionar, incluindo manuais vagos que pareciam enigmas.
 
Apesar dos percalços e instabilidades, aos poucos o eSocial unificou as obrigações em uma única plataforma, gerando benefícios a longo prazo como a redução do uso de papel, substituição da CTPS pela Carteira de Trabalho Digital, além de informações em tempo real.


O “Novo DP’’ deixa de ser redundante na entrega de obrigações. Oprofissional passou a ser o analista de dados estratégico e se consolida como um braço vital e tecnológico para as organizações.  


Resta saber se a “morte” do papel realmente facilitou a vida do DP, ou apenas tornou o intermediário em um “funcionário” do governo que precisa se desdobrar para cumprir prazos rígidos, e que luta com a instabilidade da plataforma e multas.

LUCAS FERREIRA,
Graduado em Ciências Contábeis, Coordenador de Departamento Pessoal da Denerson Rosa Advogados, Mais de 7 anos de experiencia em Departamento Pessoal e Esocial.

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