A Região Metropolitana de Goiânia conta com 514.743 pessoas sem acesso à coleta de esgoto segundo os dados de 2024 do Instituto Trata Brasil. O número representa 18,9% da população total da localidade, que soma 2.718.528 habitantes. Os dados revelam um cenário de desigualdade no saneamento básico e seus reflexos diretos na saúde e na renda da população.
O déficit de infraestrutura também atinge o abastecimento de água. Segundo as informações, 153.166 moradores, o equivalente a 5,6% do total, não possuem acesso à água. Além disso, 274.147 pessoas, ou 10,1% da população, recebem o fornecimento de forma irregular. A falta de saneamento adequado impacta a saúde pública. Em 2024, foram registradas 3.784 internações por doenças de veiculação hídrica na região, resultando em 72 óbitos. O custo dessas internações para o sistema de saúde chegou a R$ 2.222.771,56.
A ausência de serviços básicos aprofunda as desigualdades sociais e econômicas. A renda mensal média das pessoas com saneamento é de R$ 3.578,60, enquanto a daqueles sem esses serviços é de R$ 2.689,85. Na educação, a diferença também é evidente. Moradores com acesso a saneamento possuem em média 10,13 anos de estudo formal, contra 8,57 anos dos que não têm. A nota média no Enem para estudantes com banheiro em casa foi de 539,48 pontos, superior aos 528,21 pontos dos alunos sem a estrutura. O mercado imobiliário também reflete essa disparidade, com aluguéis médios de R$ 915,61 para moradias com saneamento e R$ 835,18 para as sem o benefício.
CENÁRIO NACIONAL
A cada minuto, quase quatro piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento são despejadas na natureza brasileira. Por dia, são 5.442 piscinas, segundo o esgotômetro do Instituto Trata Brasil, que tem como base o índice de tratamento de esgoto do SINISA, ano-base 2024. Somado ao longo do ano, esse volume já ultrapassou a marca de 1 milhão de piscinas olímpicas despejadas sem tratamento em 2026, reflexo de um país que trata pouco mais da metade (51,8%) do esgoto que gera.
Esse déficit de tratamento tem consequências diretas sobre a saúde da população. A falta de coleta e tratamento de esgoto está associada a mais casos de doenças de veiculação hídrica, que afastam crianças da escola, reduzem a produtividade dos trabalhadores e sobrecarregam o SUS com internações evitáveis. Esse ciclo penaliza, sobretudo, as populações mais vulneráveis, que costumam ter menor acesso aos serviços básicos.
Reverter esse quadro tem um retorno mensurável. De acordo com um estudo do Instituto Trata Brasil, universalizar os serviços básicos pode gerar R$ 1,455 trilhão em benefícios ao país entre 2021 e 2040, o equivalente a um saldo líquido de R$ 815,7 bilhões depois de descontados os investimentos necessários. Passado 2040, o legado dessa universalização, com ganhos que se perpetuam ao longo do tempo, ultrapassa R$ 1,7 trilhão.
Reduzir o volume de esgoto sem tratamento depende, em grande parte, da prioridade que o tema recebe na agenda pública. Estamos em um ano eleitoral, onde serão escolhidos os governantes que vão priorizar – ou não – o tema. Para isso, o ITB criou o Voto no Saneamento, plataforma que reúne dados e indicadores para o eleitor cobrar propostas dos candidatos e que também oferece aos próprios candidatos um kit de apoio com checklists e modelos de propostas para incluir o saneamento nos planos de governo estaduais 2027-2030.
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