Cerca de 55% das exportações brasileiras aos Estados Unidos ainda estão sujeitas a sobretaxas alfandegárias, segundo dados apresentados pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham) durante o Encontro Empresarial BR-US, realizado em São Paulo. A informação integra pesquisa inédita da entidade com cerca de 90 empresas exportadoras, brasileiras e estadunidenses, e revela que, apesar da melhora recente nas condições de acesso ao mercado de Washigton, incertezas regulatórias e comerciais permanecem no horizonte.
O presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, destacou que aproximadamente 45% das exportações brasileiras já entram nos Estados Unidos sem sobretaxas, o equivalente a cerca de US$ 14 bilhões em produtos, entre alimentos, insumos e componentes industriais. O avanço ocorre após decisão recente da Suprema Corte estadunidense e a reaproximação entre os governos dos dois países. “Estamos diante de um cenário mais favorável — mas ainda em transição e sujeito a mudanças”, afirmou Abrão Neto.
Apesar da melhora parcial, o ambiente permanece de cautela entre as empresas. Segundo a pesquisa da Amcham, 86% das companhias apontam preocupação com novos aumentos tarifários, 76% citam incerteza regulatória e comercial, e 46% destacam riscos associados à investigação da Seção 301, mecanismo estadunidense de análise de práticas comerciais consideradas desleais. Cerca de 40% das empresas avaliam que ainda é cedo para medir os efeitos das mudanças recentes, enquanto aproximadamente um terço já indica intenção de ampliar exportações para os Estados Unidos.
O comércio bilateral de bens e serviços entre Brasil e Estados Unidos supera US$ 100 bilhões por ano, fluxo sustentado majoritariamente pelo setor privado. “São as empresas que dão concretude a uma parceria que produz benefícios reais para as duas economias”, disse Abrão Neto.
O presidente da Amcham relembrou que, em 2025, as sobretaxas chegaram a atingir quase 80% das exportações brasileiras, especialmente produtos industriais, afetando a competitividade das empresas no mercado estadunidense. A partir de setembro do ano passado, houve uma inflexão no cenário, com a retomada do diálogo político e avanços graduais nas condições comerciais.
A pesquisa indica que mais de 90% das empresas defendem o diálogo entre os governos como principal caminho para avançar na relação bilateral. Abrão Neto destacou que ainda há temas relevantes em pauta dos dois lados: o interesse brasileiro em evitar novas tarifas e preservar acesso ao mercado dos Estados Unidos, e as demandas estadunidenses por redução de barreiras não tarifárias, além de avanços em propriedade intelectual e economia digital.
Para 2026, a Amcham antecipou que apresentará aos candidatos à Presidência da República uma agenda estruturada em três frentes: desafios estruturais do país, como equilíbrio fiscal, segurança pública e educação; políticas para melhoria do ambiente de negócios e competitividade; e fortalecimento das relações econômicas entre Brasil e Estados Unidos.
No campo bilateral, a entidade defende uma agenda baseada na expansão do comércio e dos investimentos, redução de barreiras e aprofundamento da cooperação em áreas como minerais críticos, tecnologia, infraestrutura digital e agricultura. “Há espaço para construir convergências por meio de negociações e avançar em uma agenda pragmática e orientada a resultados”, afirmou Abrão Neto.
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