É revoltante ligar a televisão ou abrir os jornais e assistir ao mesmo espetáculo diário: economistas de mercado e comentaristas da grande mídia ditando as regras do que chamam de “responsabilidade fiscal”. A receita deles é sempre a mesma: para salvar o Brasil, é preciso cortar gastos sociais, congelar o salário mínimo, reduzir investimentos em saúde e educação. Exigem sacrifícios do povo brasileiro, daquele que acorda de madrugada para pegar ônibus lotado. Mas o que essa turma esconde, com uma conveniência criminosa, é que o orçamento público brasileiro tem dono. E são os mesmos donos desde 1500.
Os números oficiais de 2025 e não divulgados integralmente escancaram a farsa da narrativa: o Brasil vai quebrar porque gasta demais com os pobres. O Brasil sangra porque o Estado foi capturado por uma elite patrimonialista que mama nas tetas do governo enquanto aponta o dedo para a base da pirâmide.
Vamos aos fatos que a Faria Lima não quer que você saiba. Em 2025, o governo federal registrou um déficit primário de 0,48% do PIB, o menor déficit dos últimos anos. Onde está o rombo, então? Nos juros da dívida pública, que consumiram absurdos 7,84% do PIB (mais de R$ 1 trilhão), transformando o déficit primário em um déficit nominal de 8,32%. É uma transferência brutal de riqueza dos impostos pagos por todos nós diretamente para o bolso dos rentistas.
Mas a indignação não para por aí. Outros verdadeiros buracos negros das contas públicas atendem por dois nomes: sonegação e isenção fiscal.
Estima-se que a sonegação fiscal no Brasil ultrapasse R$ 1,1 trilhão por ano (cerca de 8,56% do PIB). São grandes empresas, devedores contumazes, que praticam crime aberto contra o país e seguem operando impunemente. Somam-se a isso as isenções e benefícios fiscais legais, que custam mais 5,93% do PIB (cerca de R$ 762 bilhões) aos cofres públicos. São setores inteiros da economia subsidiados pelo Estado, empresários que lucram alto enquanto choram por “corte de gastos sociais”.

Se somarmos a sonegação e as isenções, chegamos a uma lacuna fiscal de quase R$ 1,86 trilhão, 14,47% do PIB. Se o Brasil cobrasse de quem deve e cortasse os privilégios de quem não precisa, nosso déficit nominal de 8,32% se transformaria em um superávit nominal de mais de 6,17% do PIB. Teríamos dinheiro de sobra para pagar os juros da dívida, investir em infraestrutura e reduzir a dívida pública. Será que este último é do interesse da “turma da bufunfa”?
A solução para o problema fiscal e do endividamento brasileiro não passa por sacrificar quem já tem pouco. Passa por enfrentar os devedores contumazes, combater a sonegação com rigor implacável e acabar com a farra das isenções fiscais injustificadas.
Precisamos mostrar aos brasileiros e aos empresários que carregam o PIB nas costas sem a benesse fiscal, o que realmente acontece com o orçamento público. A austeridade só é exigida do andar de baixo. Para o andar de cima, o Estado brasileiro continua sendo uma mãe generosa, financiando lucros privados com dinheiro público. A verdadeira responsabilidade fiscal começa cobrando a conta de quem se recusa a pagar.

Marcos Freitas Pereira
Natural de São Paulo, acumula mais de 40 anos de experiência no mercado. Doutorando em Turismo, Mestre em Finanças e economista. Fundador e atual sócio da AM Investimentos e Participações que investe em clínicas médicas, turismo, gastronomia e lazer e entretenimento. Foi também fundador da WAM Brasil maior comercializadora de multipropriedade turismo imobiliário do mundo.
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