Por Marcos Freitas Pereira
Como era esperado a reunião do COPOM do último dia 02 de agosto confirmou a redução na taxa básica em 0,5 ponto percentual, ou 50 pontos, reduzindo de 13,75% para 13,25% ao ano. Serão ainda mais três reuniões até o final do ano. Conforme previsto no comunicado do BACEN as próximas reuniões poderão repetir as reduções de 0,5 ponto percentual cada uma das reuniões. Assim a SELIC poderá chegar no final do ano em 11,75% ao ano, já previsto pelo relatório FOCUS.
O relatório FOCUS divulgado no dia 07 de agosto, além da previsão da redução da projeção da taxa de juros para o final de 2023 de 12% para 11,75%, trouxe ainda: redução projeção taxa de juros 2024 de 9,25% para 9,00% e para 2025 redução de 8,75% para 8,50%; manutenção da previsão de inflação de 4,84% para esse ano, de 3,88% para 2024 e 3,50% para os demais anos (2025 e 2026) e pequeno crescimento na projeção do PIB para 2023 de 2,24% para 2,26%. Com essas novas projeções a taxa de juros reais prevista (cálculo do autor) para os próximos 12 meses, de acordo com as projeções do FOCUS, é de 6,82% ao ano.
Na semana passada foi anunciado superávit comercial de janeiro a julho de 266,17 BRL bilhões projetando para o ano superávit de 416,72 BRL bilhões, será recorde de todos os anos. Esse resultado contribuirá para um possível superávit na balança de pagamento, superavitária até o mês de maio. Tanto o resultado da balança comercial como o balanço de pagamento explicam a queda na cotação do dólar no mercado brasileiro. O dólar caiu esse ano 9%, de R$ 5,30 para R$ 4,82.
Outro fator internacional favorável foi o aumento das notas de crédito do Brasil e da Petrobrás pelas agências internacionais de ratings. Esses aumentos contribuirão para o aumento dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil. E por ironia do destino, na semana passada, uma das agências reduziu a nota de risco do Estados Unidos da América em um grau, do grau máximo para o 2º, do triplo AAA para AA+.
Ainda no campo internacional, em função dos resultados da balança comercial e o volume crescente de exportações agrícolas para a China, o economista Robin Brooks declarou que o Brasil vai virar a Suíça latino-americana, fortalecendo o real contra outras moedas.
O cenário do Brasil no exterior, nesse momento, apresenta uma análise mais positiva do que dos analistas brasileiros. O Brasil vive um boom no cenário internacional, além do aumento dos investimentos estrangeiros no país, várias empresas estão aumentando significativamente a captação de recursos no exterior. Essa diferença de humor entre o cenário internacional e o cenário nacional deve ser explicado pelo viés ideológico que tomou conta do Brasil nos últimos anos. No exterior, o aspecto, técnico que prevalece.
E falando desse aspecto ideológico brasileiro, vale destacar aqui as desastrosas entrevistas dos políticos Zema e Eduardo Leite, nesse final de semana, propondo uma frente Sul/Sudeste em contraste com as demais regiões do país, ressuscitando o ocorrido há 160 anos nos Estados Unidos na guerra da Secessão. Simplesmente, lamentável.
Por fim, os resultados no campo financeiro estão cada vez melhores, o foco agora é o setor real da economia.

Marcos Freitas Pereira
Natural de São Paulo, acumula mais de 40 anos de experiência no mercado. Doutorando em Turismo, Mestre em Finanças e economista. Fundador e atual sócio da AM Investimentos e Participações que investe em clínicas médicas, turismo, gastronomia e lazer e entretenimento. Foi também fundador da WAM Brasil maior comercializadora de multipropriedade turismo imobiliário do mundo.