O aumento das tarifas de energia elétrica tem levado cada vez mais goianos a buscar alternativas para reduzir gastos fixos e equilibrar o orçamento. A energia solar tem se destacado como uma das principais soluções, impulsionada pelo avanço das contas de luz no estado e pela possibilidade de economia significativa a longo prazo. Dados do Relatório de Infraestrutura: Energia Elétrica 2025, divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), por meio do Conselho Temático de Infraestrutura (Coinfra) mostram que em 2024, a geração alcançou o maior volume da série histórica: 33.165 GWh. O desempenho também foi impulsionado pela evolução da energia solar, que saltou de zero em 2015 para quase 2 mil GWh em 2024.
A pesquisa demonstra a evolução da geração de energia elétrica por tipo de fonte no Estado de Goiás entre 2015 e 2024, em GWh. A fonte predominante segue sendo a hidrelétrica, apesar de oscilações significativas ao longo do período: queda acentuada em 2017 (17.040 GWh) e 2021 (17.601 GWh), refletindo impactos de crises hídricas, seguida de recuperação em 2024, com 27.144 GWh. Já a biomassa apresenta estabilidade relativa, com leve tendência de crescimento, ultrapassando 3.600 GWh nos últimos anos. A energia solar, por sua vez, mantém crescimento contínuo e consistente, saltando de 0 GWh em 2015 para 1.981 GWh em 2024, o que indica expansão da matriz fotovoltaica no Estado, com papel cada vez mais relevante.
A energia solar fotovoltaica representa cerca de 22% a 24,5% da matriz elétrica brasileira no início de 2026, consolidando-se como a 2ª maior fonte do país. A potência instalada ultrapassa 63 GW, englobando grandes usinas e, majoritariamente, a geração distribuída em telhados de residências e comércios.
Segundo o engenheiro eletricista Alexandre Bernardes, diretor da Abinsaut, a alta nas tarifas tem sido determinante para o crescimento da demanda por sistemas fotovoltaicos em Goiás. Apenas em outubro de 2025 os consumidores goianos sentiram um impacto expressivo na conta de energia. “Tivemos um aumento de cerca de 20%. Quem pagava em média R$500 passou a pagar aproximadamente R$600 sem ter aumentado o consumo. E já há projeção de novos reajustes para 2026. Sempre que esses aumentos acontecem, cresce fortemente a procura por energia solar”, afirma Bernardes.
Esse cenário tem consolidado Goiás como um dos mercados mais promissores para a energia fotovoltaica no país. Nos últimos meses, a demanda por sistemas solares cresceu de forma expressiva, impulsionada principalmente pelos reajustes tarifários. Goiânia, por exemplo, foi a capital no Brasil que teve mais aumento na conta de energia de 30% em 2025, o que tem levado consumidores a buscar alternativas mais econômicas e previsíveis.
A principal motivação para essa mudança é a economia gerada pelo sistema. Segundo Alexandre Bernardes, uma residência pode reduzir drasticamente os gastos com energia após a instalação das placas solares. “Hoje é possível economizar até 95% na conta de luz. Em muitos casos, a redução mensal supera os 90%, o que faz muita diferença no orçamento das famílias”, explica.
O retorno financeiro também costuma acontecer em um período relativamente curto. Para quem faz o investimento à vista, a devolutiva pode ocorrer em cerca de dois anos. Já no caso de financiamento, o consumidor substitui o valor que pagaria para a concessionária pelo pagamento das parcelas. Em cerca de 42 meses o sistema costuma estar quitado e, a partir daí, o consumidor passa a ter uma economia real na conta de energia.
Na prática, o funcionamento do sistema é simples. As placas solares captam a luz do sol e a transformam em energia elétrica. Essa energia passa por um equipamento chamado inversor, responsável por converter a corrente contínua gerada pelos painéis em corrente alternada, que é a utilizada em residências e empresas. A partir daí, a energia pode ser utilizada normalmente no imóvel.
Além da redução na conta de luz, o sistema oferece outras vantagens. Entre elas estão a valorização do imóvel, a baixa necessidade de manutenção e o fato de se tratar de uma fonte de energia limpa e renovável. “É uma solução que também protege o consumidor contra futuros aumentos tarifários e oferece mais independência energética”, afirma o engenheiro.
Em Goiás, a maior procura atualmente vem de consumidores residenciais, embora os primeiros a investir em energia solar tenham sido os comércios, devido ao alto consumo de energia. Ainda assim, a tendência é de crescimento contínuo no estado. Segundo Bernardes, cada vez mais projetos imobiliários já estão sendo planejados para receber sistemas fotovoltaicos. “Hoje muitas casas já são construídas com telhados preparados para receber placas solares. Além disso, novas tecnologias, como sistemas de baterias para armazenamento de energia, começam a ganhar espaço e devem ampliar ainda mais as possibilidades”, explica.
Para quem pretende investir na tecnologia, o especialista recomenda atenção na escolha da empresa responsável pela instalação. “É um investimento importante e deve ser feito com empresas sérias, que ofereçam qualidade nos equipamentos, suporte técnico e pós-venda. Nem todas as placas são iguais e o consumidor precisa garantir que o sistema esteja dentro das normas e preparado para possíveis atualizações no futuro”, orienta Alexandre Bernardes.
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