Campo Grande Empresas (MS) – Em abril, o preço da cesta básica em Campo Grande apresentou a maior alta entre as capitais. O conjunto de alimentos custou 6,02% a mais no bolso do consumidor, saindo de R$ 552,99 em março para R$ 586,26 em abril, conforme dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
A alta, no entanto, começa no início da cadeia produtiva. O produtor rural observou um aumento de 13% no preço dos insumos agrícolas, na comparação com a última safra, em 2020. Com o aumento do custo da produção, somado à alta do dólar, muitos alimentos podem ter novos reajustes nos próximos meses.
De acordo com a analista técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Sistema Famasul), Eliamar Oliveira, o insumos que correspondem a materiais como fertilizantes, herbicidas e fungicidas representaram 61,46% do custo total das lavouras em Mato Grosso do Sul.
Ainda segundo Eliamar, para a próxima safra, esse impacto será ainda maior. “Para a safra de soja 2021/2022, o impacto será maior, já que estamos no período de pré-custeio e neste momento o custo por hectare com esses insumos registra alta de 20%”, avalia.

Cesta básica e o consumidor
O Procon de Campo Grande realizou uma pesquisa com os preços dos alimentos que compõem a cesta básica. Entre os dias 12 e 13 de maio, as equipes estiveram em 15 estabelecimentos localizados em diferentes bairros da Capital e a diferença do preço dos alimentos chegou a 291%.
As amostras foram coletadas em grandes supermercados e no mercadão municipal da capital, totalizando 15 estabelecimentos. A pesquisa considerou as sete regiões de Campo Grande: Anhanduizinho, Bandeira, Centro, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo. A maior variação de preço encontrada entre os locais pesquisados foi a banana nanica, com 291% de variação. Em um supermercado, o quilograma da banana custava R$ 1,79, enquanto em outro o preço chegou a R$ 6,99.
Além disso, os fiscais flagraram diferença de 247% no preço do pacote de 2 kg de açúcar. Os fiscais encontraram o produto por R$ 2,59 em um estabelecimento e R$ 8,99 em outro. O preço do kg do tomate também mostrou grande diferença, em um local custava R$ 2,29 e em outro chegou a R$ 6,99.
Segundo o Procon, foram encontrados sete itens com variação acima de 100%: laranja, com variação de 195%; sal da marca Cisne 172%, maçã 134%, café da marca Café Brasileiro 110%, margarina da marca Claybon 103%, macarrão espaguete marca Dallas 101% e o Pão com uma Variação de 100%.
No quesito itens de higiene, o creme dental da marca Colgate foi o item que teve a maior variação com 223%, seguida pela marca Sorriso com 165% e Closeup com 115%. Outros itens de higiene apresentaram uma variação de preço do sabonete da marca Lux de 148% seguido pela marca Albany com 115% e Paumolive 84% de variação no Preço.
O subsecretário Thiago Almeida orienta que levando em consideração as altas variações dos preços dos produtos se torna importante fazer a pesquisa de preço para obter uma economia considerável no valor final da sua compra. Confira a pesquisa completa aqui.
A alta na hora de produzir os alimentos impacta diretamente no bolso do consumidor final, de acordo com os especialistas.
“Vimos uma alta do dólar e, quando o custo [para produção] aumenta, vemos um aumento também no preço final. A faixa de consumidor que mais sofre com isso é a de baixa renda, isso porque os produtos a apresentarem maior aumento são os que vão na cesta básica”, explica o doutor em Economia Michel Constantino.
Para a supervisora técnica do Dieese em MS, Andreia Ferreira, os hortifrutigranjeiros sofrerão com reajustes imediatos e, posteriormente, os industrializados também podem sentir os custos já conferidos no campo.
“Imediatamente para os produtos do campo, mas entendo que haverá rebatimentos para os produtos processados e industrializados, como o café, por exemplo. De imediato, vejo aumento para produtos como os hortifrútis”, analisa Andreia.