O valor necessário para garantir um padrão de vida básico e decente varia entre as diferentes regiões de Goiás. Em junho de 2025, a estimativa de salário digno mensal ficou em R$ 2.590 nas mesorregiões Centro, Leste, Noroeste e Norte, em R$ 2.907 no Sul Goiano e em R$ 2.854 em Goiânia e na região metropolitana.
As diferenças também aparecem no cálculo da renda digna, que representa o valor necessário para atender às necessidades de uma família de quatro pessoas. A estimativa chega a R$ 4.022 no conjunto formado pelas regiões Centro, Leste, Noroeste e Norte, a R$ 4.501 no Sul Goiano e a R$ 4.607 na capital e no entorno metropolitano.
Os dados fazem parte de relatório elaborado pelo Anker Research Institute (ARI) em parceria com o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). O estudo aplicou a Metodologia Anker® a informações de pesquisas domiciliares do IBGE e de outras fontes nacionais. Os resultados mostram que renda digna e salário digno são indicadores relacionados, mas não idênticos. Embora Goiânia e a região metropolitana apresentem o maior custo mensal para uma família, o salário digno por trabalhador fica ligeiramente acima no Sul Goiano.
Essa diferença ocorre, entre outros fatores, por causa do número estimado de trabalhadores em tempo integral em cada família. O cálculo considera 1,76 trabalhador por domicílio na capital e na região metropolitana e 1,69 nas outras duas macrorregiões.
“Os resultados mostram que as condições econômicas e familiares não são iguais em todo o estado. O custo total de uma família é mais elevado em Goiânia e na região metropolitana, enquanto o valor necessário por trabalhador fica um pouco maior no Sul Goiano, porque tem menos pessoas, na média, contribuindo para a renda da família. A composição dos domicílios e a dinâmica do mercado de trabalho ajudam a explicar essas diferenças”, afirma Ian Prates, diretor da Iniciativa ARI-Cebrap.
O estudo agrupou as cinco mesorregiões do IBGE em três macrorregiões de salário e renda digna. A GO01 reúne Centro Goiano, Leste Goiano, Noroeste Goiano e Norte Goiano. A GO02 corresponde ao Sul Goiano. Já a GO03 engloba Goiânia e sua região metropolitana.
O primeiro recorte concentra 42% da população estadual analisada. Goiânia e a região metropolitana respondem por 37%, enquanto o Sul Goiano representa 21%.
As estimativas consideram despesas com alimentação nutritiva, moradia adequada, transporte, saúde, educação, vestuário, comunicação, cultura e outras necessidades essenciais. O cálculo inclui ainda uma margem de 5% para situações inesperadas. No caso do salário digno bruto, também são incorporadas as contribuições obrigatórias aplicáveis ao trabalhador, como INSS e imposto de renda.
“A territorialização permite observar diferenças que desaparecem quando se trabalha apenas com uma média estadual ou nacional. O indicador oferece uma referência mais próxima da realidade de cada região e pode contribuir para negociações, políticas públicas e estratégias empresariais de remuneração”, explica Prates.
Indicadores ajudam a compreender as realidades locais
As estimativas evidenciam que o custo de uma vida básica e decente não depende apenas dos preços praticados em cada localidade. Também entram no cálculo a estrutura familiar, a participação dos adultos no mercado de trabalho e as características econômicas de cada região.
O relatório integra a iniciativa Salário Digno Brasil, desenvolvida pelo ARI e pelo Cebrap. As estimativas funcionam como referências técnicas territorializadas e não substituem negociações coletivas, o salário mínimo ou outras políticas públicas. O documento completo está disponível no site do Anker Research Institute. O teve apoio da EDP South America e da Jalles Machado.
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