Por Zé Garrote
A demografia define os rumos de uma sociedade, construindo ou destruindo oportunidades. Em uma recente missão de agentes públicos e privados de Goiás à Índia, tivemos uma verdadeira aula de inteligência econômica e transformação social.
A China retirou 800 milhões de pessoas da extrema pobreza entre 1982 e 2022 por meio da industrialização e exportação. A Índia, em cinco anos, reduziu a pobreza de 25% para 15%, beneficiando 135 milhões de habitantes com políticas de nutrição, educação, saneamento e acesso a combustível. O governo indiano distribui grãos gratuitamente para 800 milhões de pessoas, garantindo a segurança alimentar.
No Brasil, 27,4% da população vive na linha da pobreza, enquanto enfrentamos escassez de mão de obra. A China e a Índia ultrapassaram o Brasil e caminham para se tornarem potências econômicas, enquanto nossa indústria perde relevância no PIB e a redução da pobreza estagna.
A Índia investe em um futuro sustentável com foco no ESG. No setor ambiental, aposta no biocombustível e no biometano, planejando mil usinas até 2030. Esse programa transforma lixo em energia e fortalece a agricultura regenerativa. No setor social, com 800 milhões de pequenos produtores rurais, alia a nanotecnologia à agricultura, garantindo segurança alimentar e desenvolvimento rural.
Esses países veem a indústria como ativo estratégico. China e Índia produzem e exportam suas próprias máquinas e veículos, enquanto o Brasil, grande produtor de alimentos, importa insumos e equipamentos, exportando commodities sem valor agregado. A falta de industrialização enfraquece nossa economia, e a ausência de políticas públicas agrava esse cenário.
Sem investir em pesquisa e desenvolvimento, o Brasil regride tecnologicamente. Temos potencial, como a Embraer, na aviação, mas poderíamos replicar esse sucesso em outros setores. Enquanto China e Índia avançam em nanotecnologia, satélites e inteligência artificial, ficamos para trás. A indústria brasileira perdeu quase 10 pontos no PIB na última década por falta de planejamento.
Precisamos investir em tecnologia e educação para transformar a economia. O Brasil ainda possui vantagens no agronegócio e pode aprender com a Índia, trocando conhecimentos sobre mão de obra, projetos sociais e energia renovável. Sem isso, corremos o risco de perder nossos ativos econômicos para estrangeiros.
Agora, ou o Brasil acorda para investir em educação, tecnologia e industrialização, ou será atropelado pela economia global. A Índia e a China mostram que é possível sair da pobreza e alcançar o topo, mas apenas com propósitos claros e políticas consistentes. A minha conclusão é que não fomos a uma missão na Índia; fomos para uma lição na Índia.
Zé Garrote
Empresário e presidente do Conselho da Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial)
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